GARE contrata venda de R$ 791,7 milhões; Pacaembu perde vendas e aluguéis desaceleram

GARE detalha venda de nove imóveis por R$ 791,7 milhões, Pacaembu registra VGV de R$ 1,13 bi com vendas em queda, e FGV aponta desaceleração dos aluguéis em outubro. Fatos e períodos distintos.

O mercado imobiliário encerrou a primeira semana de novembro com grandes operações de reciclagem patrimonial, resultados díspares das incorporadoras e sinais de moderação nos preços de locação residencial. O GARE11 detalhou venda contratada de nove imóveis por R$ 791,7 milhões; a Pacaembu apresentou R$ 1,13 bilhão em VGV bruto lançado no terceiro trimestre, mas vendas líquidas 11,9% menores que um ano antes; e o IVAR da FGV, divulgado em 6 de novembro, recuou 0,01% em outubro, com alta acumulada em 12 meses reduzida a 4,47%. Contratos, lançamentos, vendas e índices de aluguel medem coisas diferentes: o valor de um negócio anunciado não é sinônimo de caixa já recebido e a divulgação em novembro não converte resultados de setembro ou outubro em fatos realizados agora.

GARE11 formaliza venda de nove imóveis por R$ 791,7 milhões, com parte relevante ainda a receber

O Guardian Real Estate FII (GARE11) divulgou em 5 de novembro de 2026, às 18h30, fato relevante sobre contrato assinado em 30 de outubro com o Riza Renda Imobiliária Master para a alienação de nove imóveis de renda urbana. A operação abrange cinco unidades Atacadão, três lojas Mix Mateus e um imóvel Almanara, distribuídos por seis estados; entre os imóveis do Atacadão estão unidades em Atibaia e Caraguatatuba (SP). Seu montante contratual é de R$ 791,7 milhões, e a gestão estima lucro bruto aproximado de R$ 177 milhões, além de redução potencial de R$ 328 milhões na alavancagem após quitação de CRIs associados aos imóveis.

O preço não corresponde a recebimento imediato: R$ 382,2 milhões serão em caixa, R$ 250 milhões em cotas subordinadas do fundo comprador e R$ 159,5 milhões em parcela vinculada a alienações futuras. O calendário previsto distingue a primeira quinzena de novembro, para lojas Mix Mateus e Almanara, de liquidações dos Atacadão a partir de janeiro de 2027. A participação em cotas subordinadas mantém exposição econômica a possíveis resultados de revenda por até seis anos, e as projeções de ganho e desalavancagem dependem da execução contratual. A transação traduz uma estratégia de redução de concentração em locatários e realocação de capital, não uma venda inteiramente liquidada em 6 ou 7 de novembro.

Fonte primária: fato relevante GARE11 no FNET/B3, protocolo 1370249, de 05/11. Consulta documental: ficha e resumo do registro na B3. Detalhamento jornalístico divulgado em 06/11.

Pacaembu lança R$ 1,13 bilhão no 3T26, mas vendas líquidas recuam 11,9%

A Pacaembu Construtora, concentrada no segmento econômico e em empreendimentos relacionados ao Minha Casa, Minha Vida, apresentou resultados referentes ao terceiro trimestre de 2026, em documento datado de 5 de novembro e arquivado em 6 de novembro. Os lançamentos somaram R$ 1.130,2 milhões de VGV bruto de 5.222 unidades, aumento de 2,2% no valor ante o 3T25, embora o volume de unidades lançadas tenha diminuído 4,8%. Na métrica correspondente à participação econômica da Pacaembu, o VGV lançado foi de R$ 959,5 milhões, queda de 2,1%. As diferenças decorrem do universo contábil: o VGV bruto integral inclui parcelas atribuíveis a terceiros.

As vendas líquidas totais atingiram R$ 892,1 milhões, queda anual de 11,9%; na parcela Pacaembu, foram R$ 781,3 milhões, recuo de 12,5%. A velocidade de vendas sobre oferta (VSO) caiu de 44,1% para 36,2% em um ano, redução de 7,9 pontos percentuais. Em sentido distinto, a receita líquida reconhecida alcançou R$ 769,9 milhões, alta de 2,6%, e o lucro líquido foi de R$ 112 milhões, queda aproximada de 1,7% segundo o balanço. A empresa entregou 5.072 unidades habitacionais no trimestre, salto de 364,9% sobre a base anterior, que não deve ser confundido com unidades vendidas.

No acumulado dos nove meses, as vendas líquidas totais alcançaram R$ 2,47 bilhões, aumento de 10,1%, o que evidencia a diferença entre o enfraquecimento do trimestre e o crescimento acumulado. O VGV é o valor potencial dos empreendimentos comercializados ou lançados, não receita disponível; entregas, vendas contratadas e reconhecimento contábil percorrem etapas distintas. O desempenho da empresa amplia a discussão sobre o equilíbrio entre oferta nova, estoques e capacidade de absorção.

Fontes primárias: Pacaembu RI — painel de fundamentos do 3T26 e documentação financeira apresentada em 06/11.

FGV: aluguel residencial recua 0,01% em outubro; São Paulo tem variação de -0,12%

O Índice de Variação de Aluguéis Residenciais (IVAR) de outubro de 2026, publicado pela FGV IBRE em 6 de novembro, apresentou variação de -0,01% no mês. Em 12 meses, a alta desacelerou de 5,08% em setembro para 4,47% em outubro. A mudança não significa queda de 4,47% nos aluguéis: a variação anual permanece positiva e o índice nacional mensal ficou próximo da estabilidade.

Na amostra das quatro capitais monitoradas, os aluguéis residenciais tiveram variações mensais de -0,12% em São Paulo, -0,13% em Porto Alegre, +0,18% em Belo Horizonte e +0,37% no Rio de Janeiro. O indicador mede preços de locação residencial no universo pesquisado, não preços de venda anunciados, transações escrituradas ou aluguéis corporativos. A FGV associa parte da desaceleração anual ao efeito estatístico de comparação com outubro de 2025, além das restrições de crédito e da oferta limitada. Por isso, não se pode inferir apenas a partir do índice uma reversão ampla do mercado de locações.

Fonte primária: FGV IBRE — IVAR, notícia e dados de 06/11 e press release com metodologia.

HGRU11 combina venda concluída em Jales e compromisso de R$ 46,48 milhões na capital

Outro fato relevante, divulgado em 6 de novembro, expõe as diferentes etapas de uma transação imobiliária. O HGRU11 informou ter concluído a venda de um imóvel locado à Pernambucanas em Jales (SP) por R$ 8,5 milhões, quantia recebida à vista, 47% acima do investimento realizado. Na Rua Teodoro Sampaio, em Pinheiros, São Paulo, o fundo assinou em 5 de novembro um compromisso de venda de imóvel por R$ 46,48 milhões, ainda dependente de condições precedentes.

A estrutura financeira do segundo negócio prevê R$ 30,5 milhões em 13 prestações semestrais, R$ 7,68 milhões em 48 parcelas mensais e R$ 8,3 milhões em duas parcelas adicionais, com correção contratual. Para as duas operações, a gestão estima lucro não recorrente de R$ 21,5 milhões, equivalente a cerca de R$ 0,85 por cota; a projeção não equivale a distribuição extraordinária anunciada nem a recebimento imediato. É um caso de reciclagem de ativos que, segundo o gestor, poderá reduzir a concentração de receitas em um mesmo locatário.

Fonte primária: fato relevante HGRU11 no FNET/B3, de 06/11 e ficha do documento.

Galpões: BTLG11 prepara captação e avalia aquisição próxima de R$ 920 milhões, ainda sem fechamento

No setor logístico, o BTG Pactual Logística FII (BTLG11) apresenta uma combinação de reciclagem e busca de escala. Seu relatório gerencial de outubro, entregue em 4 de novembro, descreve a 17ª emissão de cotas, com oferta inicialmente prevista de cerca de R$ 800 milhões, ampliável em até 50% caso utilizado o lote adicional. O fundo também acompanha a possibilidade de compra de três ativos logísticos locados para Amazon e Mercado Livre, com aproximadamente 182,5 mil m² de área bruta locável e preço indicado no memorando não vinculante de setembro da ordem de R$ 918,5 milhões. Dois estão no estado de São Paulo, em áreas situadas em raios aproximados de 30 km e 60 km da capital, e o terceiro na Região Metropolitana de Curitiba.

É essencial diferenciar o memorando de setembro, ainda tratado como negociação, do documento de 4 de novembro que atualiza o portfólio: não há comprovação de que os três galpões tenham sido adquiridos ou de que a captação tenha sido integralizada. A carteira também registrou compromisso de alienação de 49% do BTLG Embu, em Itapecerica da Serra, por R$ 56,1 milhões; o contrato foi assinado em 30 de outubro e divulgado em 3 de novembro, com parte do preço parcelada e condições de fechamento. A operação não se soma ao VGV de construção residencial.

Fontes: BTLG11 — relatórios gerenciais e fatos relevantes arquivados na B3, fato relevante de 03/11 sobre o imóvel de Embu e análise publicada em 06/11 sobre o resultado e operações.

São Paulo: escritórios e valorização residencial exigem métricas próprias

Na capital paulista, o IVAR divulgado em novembro aponta -0,12% em aluguéis residenciais em outubro. Isso não é incompatível com o mercado de escritórios, cujo ciclo de locação é medido em área ocupada, oferta nova e preços corporativos. A Colliers, em relatório referente ao segundo trimestre de 2026, publicado em 6 de agosto, apurou absorção líquida positiva de 44,8 mil m² para escritórios classes A e A+, vacância em 16% e entrega de 56 mil m² de novos edifícios. Trata-se de referência estrutural anterior, e não de nova absorção ocorrida nesta semana.

Da mesma forma, o FipeZAP de venda residencial de outubro, divulgado em 5 de novembro, mede preços pedidos nos anúncios: não é série de escrituras nem de aluguel contratado. Esses três universos — IVAR residencial, FipeZAP de anúncios e Colliers corporativo — ilustram por que a análise metropolitana precisa especificar o ativo e a base de observação, em vez de propor um único sentido para todos os preços imobiliários.

Fontes primárias: FGV IVAR, divulgação de 06/11, Colliers — escritórios SP, 2T26 e Fipe — metodologia FipeZAP.

Campinas e Jundiaí: comparação regional mostra preços distintos, sem simular atualização diária

Na Região Metropolitana de Campinas, a cadeia logística permanece relevante para transações de grandes galpões, embora a operação anunciada mais recentemente pelo BTLG11 ainda não permita identificar quais municípios abrigam os ativos por negociar. No mercado residencial vertical, o levantamento do Secovi-SP e Brain, referente ao segundo trimestre de 2026 e divulgado em 5 de outubro, apresentou R$ 9.910/m² para Campinas e R$ 10.731/m² para Jundiaí. A pesquisa indicou R$ 6.547/m² em Campinas para empreendimentos enquadrados no Minha Casa, Minha Vida.

Esses preços são médias de um recorte específico de mercado de imóveis novos e não foram atualizados em 7 de novembro. Tampouco devem ser comparados diretamente ao FipeZAP de anúncios de imóveis prontos de outubro, cuja cesta e metodologia diferem. O último fato regional documentalmente identificado nesta edição é o pano de fundo da carteira logística, e não um anúncio de venda de unidades ou novo índice municipal. Essa distinção preserva a atualização editorial sem criar novidades locais artificiais.

Fonte setorial: Secovi-SP/Brain — mercados verticais de Campinas e Jundiaí, 2T26, divulgação de 05/10.

Recife: lançamentos e vendas do 3T26 compõem o quadro regional, sem novo resultado atribuído a novembro

Na Região Metropolitana do Recife, o levantamento Brain/Ademi-PE apresentado em 27 de outubro, sobre o terceiro trimestre de 2026, registrou 4.117 unidades novas lançadas e 4.427 unidades vendidas em toda a região. Do total, o Recife respondeu por 2.337 unidades lançadas e 2.481 vendidas. A elevação de 83% no Recife refere-se à quantidade de empreendimentos lançados em relação ao 3T25; o crescimento no número de unidades lançadas foi de 45%. Para as vendas de imóveis novos da capital, a alta foi de 44% no período.

O segmento econômico respondeu por 65,9% das unidades lançadas na região pesquisada. Esses números são úteis para aferir a dinâmica de demanda e a participação de programas habitacionais, mas têm data-base encerrada em setembro e não descrevem negócios realizados em 6 ou 7 de novembro. A presença de ativos pernambucanos em operações nacionais de fundos, como os contratos HBR/SPX divulgados anteriormente, pertence a outro mercado e não deve ser agregada às unidades residenciais vendidas pela pesquisa.

Fonte setorial: Brain/Ademi-PE — resultados metropolitanos do 3T26, divulgados em 27/10.

Crédito e estoques: o custo financeiro distingue segmentos de renda e a recuperação não é uniforme

O crédito habitacional continua condicionando a velocidade de vendas. A Abecip disponibiliza dados de financiamento com recursos da poupança relativos a setembro de 2026, e não uma apuração nova de novembro. Nas informações divulgadas em outubro, o volume de crédito SBPE em setembro foi de cerca de R$ 13,6 bilhões, com queda anual próxima de 14%, enquanto o acumulado de janeiro a setembro permaneceu superior ao de 2025. Isso impede confundir um recuo mensal com retração de todo o exercício.

Na leitura da XP publicada em 3 de novembro para as incorporadoras acompanhadas, a relação vendas líquidas/lançamentos no acumulado dos nove meses de 2026 foi de 0,94 no segmento de baixa renda e de 0,81 em média e alta renda. Relações inferiores a 1,0 indicam que o valor lançado no período superou o valor de vendas líquidas, mas não permitem, isoladamente, concluir o volume exato de estoque pronto ou a necessidade de descontos. A Pacaembu reforça o contraste: seu VGV lançado cresceu em termos brutos no trimestre, enquanto as vendas líquidas e a VSO caíram. A combinação de crédito caro, pressão de custos e oferta heterogênea torna a leitura de balanços e fluxo de caixa mais informativa que somar VGV anunciados.

Fontes: Abecip — indicadores de financiamento imobiliário SBPE, setembro/2026 e XP — estudo de 03/11 sobre estoques e relação vendas/lançamentos.

A divulgação semanal reúne contratos comunicados em 5 e 6 de novembro, informações contábeis do terceiro trimestre, preços e aluguéis apurados em outubro e séries metropolitanas de períodos anteriores explicitamente identificados. O denominador comum é a reorganização de portfólios e o financiamento da atividade, mas cada indicador sustenta uma afirmação específica: não há fundamento para tratar propostas, memorandos ou resultados projetados como transações concluídas.

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